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Segurança Pública

Desaparecimento da PM Juliane dos Santos Duarte

Desaparecimento da PM Juliane dos Santos Duarte

Este post presta homenagem à soldado da Polícia Militar Juliane dos Santos Duarte, morta após seu desaparecimento. Abaixo, vídeo e o texto da jornalista Lilliany Nascimento, de 07/08/2018, escrito na voz da própria policial.

Juliane dos Santos Duarte, mulher homossexual, Negra e Policial Militar. Vá em paz, colega!

Texto da Jornalista LILLIANY NASCIMENTO 07/08/2018

Meu nome é Juliane, sou soldado da polícia militar. Eu sei porque eu estou aqui neste porta-malas escuro e frio, porque sou uma policial. Aguardo a cada segundo que meus parceiros me encontrem e avisem a minha família. Já se passaram cinco dias desde a minha morte, os tiros que me atingiram já não me causam dor. Sinto que estou em paz, mas minha mãe precisa saber de mim. Daqui tento imaginar o rosto da minha sobrinha que nasceu no sábado e eu não pude vê-la. Eu prometi ser uma tia e tanto para ela. Também prometi para a minha mãe que seria uma ótima filha e que daria muito orgulho para a família e com o pouco dinheiro que recebo na políciamilitar eu iria ajudar a pagar a conta de luz e de água, e quem sabe fazer um churrasco com a família nos finais de semana. Aqui neste lugar apertado, também penso em como sonhei entrar na polícia. Eu jurei a bandeira para combater a violência, mas hoje sou uma vítima dela. Daqui de dentro não consigo mais ter sonhos…sinto uma angústia muito grande. Me pergunto: e os meus sonhos? E a minha família? A minha vontade de viver? Porque me mataram? Eu sou mais uma entre tantos parceiros que se foram nessa guerra sem fim. O que mais dói é saber que minha morte e minha família não terão o amparo que costumamos ver em alguns casos. Minha mãe não saberá o que é o direito humano. Minha sobrinha só vai ouvir falar de mim. Será que essas pessoas de terno e gravata que dizem cuidar do País conseguem me enxergar aqui dentro desse porta-malas? Só peço que cuidem de quem ficou. Minha vida acabou por aqui, mas torço que meus parceiros não tenham o mesmo destino infeliz. Eu sei quem fez isso comigo. Eles estão tranquilos, sabem que minha morte vai sair de graça perante a Lei fraca do nosso País, e mais do que isso, serão novamente considerados “vítimas da sociedade”. E eu sou o que então? Calma…ouço um barulho! Finalmente me encontraram! Minha mãe vai se despedir de mim, enquanto eu me despeço da farda.

Capitão Conte Lopes

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